Imagine alguém que adora um autor sem nunca antes tê-lo lido. Esse alguém sou - na verdade, era - eu com o John Boyne. Seus livros sempre me remeteram a assuntos pelo quais tenho muito interesse - História, por exemplo - e a habilidade do autor de retratar temáticas profundas a partir da visão de uma criança, já servia de anúncio de que, para mim, não haveria outra opção senão me ver entregue as suas histórias. A boa notícia é de que eu estava certíssima. O menino no alto da montanha, primeiro livro que leio do autor, retomou o meu ato mais intrínseco: o de devorar livros. 
Pierrot não sabe nada sobre os nazistas quando vai morar com sua tia em uma misteriosa casa no topo de uma montanha. Mas essa não é uma casa comum e o período tampouco é. Estamos em 1935 e esse é o Berghof. Protegido pelas asas de Hitler, Pierrot acaba preso em um novo e perigoso mundo repleto de poder, segredos e lealdade - e ele deve escolher de que lado está. 
Segunda Guerra Mundial é um tema que apetece muita gente. Agora, um romance em que um menino de sete anos é levado a viver na mesma casa que um dos maiores ditadores da história? Isso é de deixar qualquer curioso de cabelo em pé. Impossível não criar altas expectativas para uma trama tão carregada de originalidade. John Boyne não decepciona e leva o leitor a um mundo em que o poder é a maior arma a partir de uma narrativa bastante simples, porém envolvente. 

O ponto forte de O menino no alto da montanha é mostrar os bastidores da guerra. É interessantíssimo como Pierrot vai aos poucos entendendo-a, tendo de renunciar ao seu nome francês pela variante alemã Pieter e assim por diante. Todos os elementos trágicos que representaram a maior guerra que o mundo já presenciou são colocados com muita delicadeza, caminhando lado a lado ao crescimento e desenvolvimento de Pierrot e seus anos no Berghof. 

De forma implícita, o autor trabalha a questão da consciência sobre nossos atos. A partir de que momento Pierrot começou a ter noção da extensão de seus atos? A linha tênue que separa as duas facetas do personagem se confundem e o leitor se vê em uma armadilha: como lidar com suas atitudes? A mudança na personalidade de Pierrot, devido ao ambiente em que estava inserido, era esperada e traz consigo uma carga de realidade a história. O menino que chegou ao Berghof com sete anos tinha muitos problemas em mente e o que saiu, anos depois, de lá, também. Isso não significa que devemos inocentá-lo - afinal, nem o mesmo o faz -, mas o leitor precisa compreender o mundo em que Pierrot cresceu, especialmente sob as asas de quem.

Dito isso, fica claro que o autor se preocupou em representar com fidelidade a personalidade de Hitler e esse é outro fator que gostei muito. Boyne trabalhou bem sua relação com Pierrot e na influência exercida pelo mesmo. Toda essa preocupação com os reais acontecimentos só esforça o quão bom escritor John Boyne é.

O menino no alto da montanha é um livro tão envolvente que o leitor se verá devorando página por página, entregue ao mundo de intrigas de Pierrot. Um livro mais do que recomendado a todos os fãs do autor e aos interessados em Segunda Guerra Mundial. 

Título: O menino no alto da montanha
Autor(a): John Boyne
Editora: Seguinte
Número de páginas: 225
Nota: 5/5

Como vocês podem ver na foto, a minha edição não é brasileira. Está em inglês e foi publicada pela editora Doubleday. 

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