Resenha: Ela não é invisível - Markus Sedgwick


Nunca me cansarei de falar que ser surpreendido por uma história é uma das melhores facetas da leitura. Ela não é invisível, de Markus Sedgwick, é um livro que apesar da capa e sinopse, é difícil de ser classificado. Em melhores palavras, é o que costumo chamar de "livro que proporciona mais do que se pode imaginar". Fiquei tão presa a história e seus acontecimentos que li tudo em um único dia - coisa que há tempos não fazia. 

Quando o pai de Laureth Peak, uma garota cega de dezesseis anos, desaparece e seu caderno de anotações é encontrado em Nova Iorque, ela acredita que algo está muito errado, mas sua mãe não lhe dá ouvidos. Laureth decide então roubar os cartões de crédito de sua mãe e viajar para a cidade que nunca dorme com o objetivo de encontrar seu pai, levando seu irmão de sete anos, Beijamin, e o corvo de pelúcia, Stan, consigo. 

Ela não é invisível tem muitos pontos positivos, mas não adianta, o melhor deles é certamente sua narrativa. Essa, que não só envolvente e leve, como mostra ao leitor que tudo é uma questão de perspectiva. Nova Iorque pode ser descrito como uma cidade incrível, de arrancar suspiros, mas que quando descrito por uma garota cega, se torna uma cidade confusa e perigosa. É muito difícil não se sentir impressionado com a inversão de valores apresentada pelo autor em sua narrativa. 

É muito fácil simpatizar com Laureth. Apesar de achar seus atos irracionais, não tem como não gostar da personagem principal e seu adorável irmão mais novo, que com muita paciência e maturidade para uma criança de somente sete anos, a acompanha nessa verdadeira aventura. Markus Sedgwick construiu personagens fortes e admiráveis. Não só os principais, como também os secundários. 

O pai de Laureth e Beijamin, que é escritor, está obcecado com coincidências e alguns capítulos do livro são anotações - filosóficas, matemáticas, históricas, etc - que o mesmo fez em seu caderno. Há momentos em que é difícil acompanhar o raciocínio, que se constrói e desconstrói, mas confesso que adorei, pois nunca parei para pensar e conceituar "coincidência". Esse elemento é essencial para o desenvolvimento da história e serve para aculturar ainda mais os leitores. 

É tudo uma questão de probabilidade. Tem até um nome para isso: Lei de Littlewood, em homenagem a um professor de Cambridge. O professor Littlewood definiu milagre como algo cuja chance de acontecer seria uma em um milhão. Em seguida, concluiu que, dado o enorme número de experiências pelas quais as pessoas passam todos os dias pode-se esperar ver algo milagroso acontecer a cada 35 dias, mais ou menos. O que significa que algo que parece uma coincidência milagrosa na verdade é bem comum. 

Ela não é invisível não deixa de ser um livro de mistério daqueles em que o leitor se sente preso à teia de pistas e tenta resolvê-lo junto aos personagens. Markus Sedgwick escreveu uma história apaixonante, maravilhoso e maduro. Nunca me cansarei de recomendar este livro! 


Título: Ela não é invisível
Autor: Markus Sedgwick
Número de páginas: 254
Editora: Galera Record
Nota do Como Devorar Livros: 5/5

Share:

2 pessoas devoraram

  1. Oi,
    Achei bem interessante o conteúdo do livro principalmente essa parte das probabilidades.
    Beijos
    Raquel Machado
    Leitura Kriativa
    http://leiturakriativa.blogspot.com

    ResponderExcluir