Eu não conhecia a série As Aventuras do Caça-Feitiço até receber um e-mail do Grupo Editorial Record e tampouco tinha noção que o mesmo ganharia uma adaptação cinematográfica com o incrível do Ben Barnes como personagem principal. Quando li na sinopse que a história tratava de magia, feiticeiros, ogros, trevas, não pensei duas vezes! Só precisava ler e não posso negar um fato: faz muito tempo desde que li um livro de fantasia que fosse tão bom. 

Tomas J. Ward é o sétimo filho. O que faz dele sete vezes os sete, um garoto com um dom especial e pode-se dizer que com uma missão de vida. Cada irmão segue uma vida diferente e chegou a vez de Tomas seguir a sua, que consiste em ser aprendiz de um caça-feitiço, um oficio que procura livrar o mundo - no caso da história, o Condado, lugar em que eles vivem - das trevas. A princípio, Tomas não consegue se imaginar como aprendiz e teme as trevas como qualquer um deveria temer. No entanto, não há outro jeito. Ele então começa a descobrir novos lugares, lidar com as trevas e viver aventuras e encrencas que nunca seriam vividas se ele continuasse onde estava. 

O Sétimo Filho é uma edição lançada pela Bertrand Brasil que conta com os dois primeiros volumes da série em um único livro; O Aprendiz e A Maldição

O Aprendiz é curtinho e conta a história de Tomas desde o início de seu aprendizado até a primeira aventura, junto de seu mestre, além de explicar um pouco da fantasia presente na história. A Maldição já é um livro mais longo e com muito mais desenvolvimento que o anterior, mas que ao meu ver, podia ser dividido em dois, por carregar informação demais, que em determinados casos, deixa seu leitor confuso. Tem muita mais ação e a história se torna ainda mais envolvente e vívida. Vívida, pois o leitor se verá imerso no mundo criado pelo autor. 

Apesar de Tom ser o personagem principal, ele não é o de maior destaque - mesmo sendo o sétimo filho. Sim, nessa história o número sete é de extrema importância. Todos os personagens são muito bem desenvolvidos e articulados na história, o que fez com que as coisas não girassem somente em torno de Tom. 


A fantasia presente na história é bem explicada, o que eu considero um ponto muitíssimo positivo. Porque assim eu realmente sabia o que estava se passando ou como o personagem podia sair de tal situação, mesmo que o acontecimento carregasse um ar de mistério. Os elementos fantásticos e o modo com que foram colocados me pareceu muito inovador. Não é novidade que feiticeiros são mal vistos na literatura, mas o como Joseph Delaney os inseriu na história lhes trouxe um ar mais heroico. Um heroísmo obscuro. Faz sentido? 

A narrativa em primeira pessoa é simples, exceto pelas cenas de muita ação, em que é preciso prestar mais atenção. O que mais me agradou no livro é que me aparenta ser justamente o tipo de série que trás uma nova aventura a cada livro, sem necessariamente seguir uma linha ao estilo "preciso me livrar de personagem x" e a série inteira gira em torno disso. Não, se há algo que é para girar em torno, esse algo é, na verdade, alguém. Tomas. Mas que como mencionei acima, sem tornar Tomas o personagem. 

O universo fantasioso criado por Joseph Delaney me deixou sedenta por mais aventuras cheias de feiticeiras benevolentes e malevolentes, ogros, fantasmas e claro, com os únicos que podem lidar com tudo isso: os caça-feitiços. Prontos para a jornada? 

Título: O Sétimo Filho
Autor: Joseph Delaney
Número de paginas: 504
Editora: Bertrand Brasil
Nota do Como Devorar Livros: 5

Deixe um comentário