Resenha: O incolor Tsukuru Tazaki e seus anos de peregrinação - Haruki Murakami


Quanto mais leio Haruki Murakami, maior é a minha necessidade de ler outros livros do autor. Não é por acaso que o mesmo entrou para a minha lista de escritores favoritos há algum tempo. A escrita de Murakami é inspiradora, encantadora e intrigante, sempre mesclando com elementos culturais que podem vir a ser novidades para o leitor. O incolor Tsukuru Tazaki e seus anos de peregrinação é seu livro mais recente e na minha opinião, um dos melhores do escritor japonês que li até agora. 

A vida de Tsukuru Tazaki muda quando ele se vê expulso de seu grupo de amigos de infância. Solitário em uma cidade gigante como é Tóquio, Tsukuru não consegue entender o que fez para que seus amigos o deixassem de lado repentinamente. Sua vida não só muda, como deixa de fazer sentido. Ele não é capaz de seguir em frente, pois continua atrelado ao antigo grupo de amigos. Isto é, até conhecer uma mulher na qual acredita estar apaixonado e que para estar com ela, precisa, primeiro, resolver as confusões mentais causadas pelos laços do passado. 

Este seria basicamente o resumo de O incolor Tsukuru Tazaki e seus anos de peregrinação. Isto é, se não estivéssemos falando do célebre Haruki Murakami. Os livros deste autor sempre vão muito além do que a sinopse pode informar ao leitor. Quando se fala em peregrinação, logo faço uma ligação com a busca pela própria identidade. Este fala sobre isso, como também sobre aceitar a si mesmo, conviver com o seu eu. Tsukuru creia em muitas coisas antes de sua peregrinação e ao fim da mesma, o leitor é apresentado a um novo Tsukuru. Neste momento se descobre (caso não o tenha feito ainda) que Tsukuru está muito longe de ser um indivíduo incolor. 

A peregrinação, falar em peregrinação neste livro significa seguir os tais laços do passado, é a minha parte preferida do livro e talvez a que mais envolve o leitor em sua trama. Isso acontece porque acredita-se que as respostas estejam todas ali, expostas em diálogos melancólicos e nostálgicos. Ler Murakami é ser pego de surpresa pela história em algum ponto e é justamente neste momento "das respostas" que o livro parece desviar um pouco de seu foco, que parecia girar em torno unicamente de Tsukuru e seus sentimentos, suas duvidas, suas fantasias, etc. No entanto, parando bem para pensar, o motivo do desvio também está relacionado a Tsukuru e a seus sentimentos. Motivo pelo qual não me incomodei e que você, leitor deste blog, só entenderá lendo o livro. 

A escrita de Murakami é como disse anteriormente: intrigante. O autor costuma carregar um ar melancólico, acompanhado a uma trilha-sonora regada a jazz, em seus livros e vemos isto com muita clareza no dia a dia de Tsukuru - e que eu acredito ser muito compatível com a sociedade japonesa. Já me acostumei com esta característica do autor e preciso dizer que isso em muito me agrada, pois me sinto levada a uma atmosfera completamente diferente e existente somente nas obras deste japonês incrível. 

O incolor Tsukuru Tazaki e seus anos de peregrinação é um livro que merece ser lido e relido. E Haruki Murakami que merece ser aplaudido, aplaudido e aplaudido. De pé!

Título: O incolor Tsukuru Tazaki e seus anos de peregrinação
Autor: Haruki Murakami
Número de páginas: 328
Editora: Alfaguara
Nota do Como Devorar Livros: 5/5

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5 pessoas devoraram

  1. Oii.

    Nunca li nenhum livro de autores como do japão, China, enfim, mas gostei dessa indicação. A capa não é muito criativa, e pode desmotivar o leitor caso não leia uma boa resenha, como no meu caso hehe. Mas gostei mesmo, já vai para minha lista interminável do Skoob.

    http://mundo-restrito.blogspot.com.br
    Twitter: @rs_juliete

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    1. Oi, Juliete! Então, eu já li autores japoneses e coreanos. Super recomendo dar uma olhada na literatura oriental, apesar de ser bem diferente da nossa, é muito boa e com o tempo você se acostuma. :)

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  2. Admiro muito a cultura japonesa. Geralmente as obras do Japão trazem sempre uma filosofia, uma lição de vida e uma mensagem para refletir a respeito, como nos filmes do Studio Ghibli. Adorei a resenha, vou correndo buscar esse livro!!
    Já leu um livro chamado "A Terra Inteira e o Céu Infinito", de Ruth Ozeki? Uma palavra: MARAVILHOSO. Se quiser ir atrás do original em inglês, o título é "A Tale for the Time Being". Um dos meus livros preferidos de todos os tempos <3 <3 <3

    Bjos!

    http://casteloanimado.blogspot.com.br

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    1. Oi, Carolina! Sim, essa característica da literatura japonesa é muito encantadora ao meu ver. Na literatura ocidental, pelo menos, é tudo muito direto. Já na japonesa, o narrador foca mais nos pensamentos do que nas ações, motivo pelo qual a maior dos livros consistem apenas em questionamentos e/ou pensamentos. O Studio Ghibli também carrega esse ar, que é muito japonês.
      Se não me engano, já ouvi falar, mas não faço ideia da história. Você já leu? :D

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  3. Acabei de ler o livro sobre Tsukuru. Simplesmente amei! Adoro a cultura japonesa e esse livro me fez viajar. Alem disso a forma profunda como o autor escreve livro é realmente emocionante. Lindo!

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