Uma das melhores formas de praticar um idioma é lendo. Se você está habituado e gosta de ler, é unir o útil ao agradável. Embora seja bem amedrontador desprender-se do português - sua língua materna e zona de conforto -, ler um livro em outro idioma expande horizontes. Você não só está colocando em prática seus conhecimentos e vendo de uma forma mais divertida tudo aquilo que já estudou, como também testa a si mesmo e aprende um monte de coisas novas - de palavras à provérbios. Sem sombra de duvidas, um livro em outro idioma pode se tornar uma experiência tão enriquecedora quanto um em português. Porém, resta a duvida: por onde e como começar? É sobre isso que irei falar hoje.

Passo número um: escolha o livro
Escolher o livro certo para você é fundamental. Primeiramente, é necessário saber em que nível você se encontra. Básico? Quase intermediário? Intermediário? Avançado? Existem livros para todos os níveis. É preciso ser sincero consigo mesmo. Se você não se sente confortável ou confiante lendo algo intermediário, está tudo bem pegar algo mais fácil e progredir aos poucos. Dominar um idioma leva tempo mesmo, pode ficar tranquilo. 

O método que funcionou comigo e acredito ser útil para muitos é escolher uma história que você já conhece e acha legal, interessante. Mas vá com calma! Um dragão de cada vez. Escolha uma história simples. Quando digo isso, estou querendo dizer que começar com um mistério de Sherlock Holmes pode não ser o ideal. Com um nível intermediário ou avançado, seu leque de opções é muito maior. Se seu nível for básico, recomendo as coleções que adaptam histórias famosas para diferentes níveis de um idioma. 

Se a língua que você estiver aprendendo for o inglês, eu recomendo a coleção Penguin Readers da editora Penguin. Essa coleção separa seus livros em diversos níveis:
Existem coleções parecidas para diversos idiomas. Dê uma procurada e se você tiver um professor, pode pedir recomendações! 

Passo número dois: adquira o livro
Livro importado é caro, dói no bolso, eu sei. No entanto, não deixa de ser um baita investimento em si mesmo! Você tem duas opções: livro físico ou digital (caso você tenha um leitor digital, como o Kindle). É claro que você pode procurar por um nicho de livros importados em uma livraria física, mas os preços costumam ser muito salgados. Sempre opto por comprar em lojas virtuais. Abaixo, deixo algumas recomendações:

Saraiva - comprei várias vezes por lá e vive tendo promoções de livros importados.
Amazon - adquiri um box importado de livros recentemente e fiquei satisfeita.
Livraria Cultura - já comprei pelo site e fiquei satisfeita.
Book Depository - nunca comprei por esse site, mas já vi muita gente recomendando e o frete internacional é grátis.

"Mas Rebecca, o livro que eu quero está muito caro!", isso aconteceu diversas vezes comigo. Por isso, fique atento às promoções! Volta e meia, o preço cai a um nível "comprável" e essa é a sua chance! Muitas vezes, quando um livro está para esgotar ou "mofando" no estoque, o preço dele cai bastante. Fique atento, saiba pechinchar! 

Passo número três: comece a ler
O livro chegou, hora de começar a ler! Está sentindo o friozinho na barriga de um novo desafio? Antes de se perguntar como começar a ler, tente ler. Eu sempre leio as orelhas ou a contracapa de começar um livro de começá-lo de fato - quase como um "teste".

Dificuldades na leitura? Você encontrará palavras que não conhece, isso é normal. O que se precisa saber é se essas palavras são cruciais ou não para o entendimento da história e se é possível supor seus significados pelo contexto. Só você pode dizer! Já cansei de passar palavras que não conhecia e elas voltaram a aparecer inúmeras vezes durante a leitura. A cada vez que surgiam, eu ia entendendo-as mais e mais.

Compartilhando uma experiência minha, estava lendo um livro em inglês e me deparei com a palavra guinea-pig. Nunca tinha visto na vida! Porém, eu sabia o que era pig (porco) e Guinea (Guineia, o país africano), pelo contexto, consegui deduzir que se tratava de algum tipo de porco. Conforme fui lendo e o tal do guinea-pig foi sendo mencionado novamente, as descrições e a situação em si me fizeram supor que fosse um porquinho da índia. Pesquisei no dicionário depois de um tempo e minha dedução estava correta.

Uma coisa é fato: evite interromper a leitura para usar o dicionário. Ficar parando toda hora pode te desmotivar e até te distrair. 

Se desconhecer o significado de palavras é algo que te incomoda muito, mas muito, a minha sugestão é que você as marque durante a leitura. Tente ler um capítulo sem tocar no dicionário. Terminou? Entendeu o que aconteceu em geral ou não entendeu nada? Volte ao capítulo. Desta vez, procurando os significados das palavras que você marcou. Esse processo leva tempo, mas como eu disse, dominar um idioma não é algo que acontece do dia para a noite.
Não tenha pressa, o ritmo quem cria é você. E não desanime! Cada página virada é uma vitória.
Espero tê-los ajudado com esse post!

Existem diversos tipos de leitores e nenhum permanece sempre o mesmo. Acada leitura, o leitor está suscetível à mudanças. Há livros que exigem calma, atenção, outros que te despertam fúria, tristeza, duvida, incômodo. Há livros que nos fazem felizes ou chorar de emoção. As emoções geradas por um livro são capazes de mudar um leitor. O que quero dizer como tudo isso é que, cada vez mais, tenho percebido mudanças em mim como leitora. A literatura se tornou uma extensão de mim há mais ou menos oito anos. Durante todo esse tempo, nunca senti uma transformação como a que tenho sentido nos últimos tempos.

Como tenho mudado como leitora, minhas preferências literárias também expandem e eu me pego lendo obras que nunca me imaginaria lendo. Livros que instigam e incomodam, que tornam a leitura algo como estar à flor da pele. Ao olhar a minha estante, reconheço todas as minhas fases e como minhas leituras têm se diferenciado. É interessante perceber, através da literatura, o meu crescimento como pessoa. Não consigo pensar em uma vida de leitora sem ter passado pela literatura fantástica, a infanto-juvenil, jovem-adulto, os romances históricos.

Recentemente, li Travessuras de menina má de Mario Vargas Llosa. Tenho muito a dizer sobre essa obra e, por vezes, me pego refletindo sobre a mesma. Trata-se, inquestionavelmente, de um romance. Belo? Não, porém único em toda a sua crueza. Chega a ser difícil definir se, em algum momento, o que li pode ser tratado como amor. Caso possamos classificá-lo como tal, passa muito longe de ser um amor puro, mas um cheio de espinhos e feridas mal curadas. O romance muito me incomodou e ainda sim, me vi presa à história e apaixonada pela obra. Não quis largá-la de jeito maneira e há muito um livro não me despertava as emoções de que esse foi capaz.

Quando penso na minha admiração por esse livro, recordo-me como, até pouco tempo, qualquer romance a ser lido por mim tinha de ser romântico beirando ao água com açúcar, com um final feliz que me deixaria aos suspiros. Acho que meu pensamento mudou após ler Reparação de Ian McEwan, em que me senti uma peteca nas mãos do autor: eu sentia o que ele queria que eu sentisse, eu acreditava no que ele queria que eu acreditasse. Esta obra é outra que se tem muito para discutir, mas ela não deixa mesclar a minha concepção clássica de romance com um fim digno da minha visão atual. Não irei me aprofundar muito, pois não quero estragar a graça do livro.

Existem livros que requerem mais do leitor. Se antes tais livros me assustavam, agora eu me vejo abraçando-os e disposta a me aventurar por este ramo de literatura. Se clássicos eram quase inconcebíveis, preciso admitir que literatura inglesa clássica tem me despertado tanto interesse que tem sido difícil me conter. Isso sem falar da russa!, a qual me vejo agarrando muito em breve.

Embora tenha lido livros mais sérios e maduros nos últimos tempos, me transformado como leitora, a maior graça e dádiva da literatura é permitir que eu faça tudo isso sem precisar me desgarrar da fantasia, dos romances históricos, da poesia. É permitir que eu seja muitas leitoras dentro de um mesmo dia. A leitora atenta, aflita, romântica, calma, indignada, delicada.

Para mim, a literatura é a melhor espécie de magia.

É consenso que férias são maravilhosas. Um ótimo ritmo de leitura, muitos livros lidos por mês. Porém, segundo o dito popular, todo que é bom dura pouco e as aulas retornam para interromper tudo isso. Desde que entrei na faculdade, tenho que ler o dobro do que lia antes: não somente os livros da minha listinha, mas também as leituras obrigatórias da faculdade. É bem complicado, mas tenho tentado e aprendido a lidar com esse conflito. Não quero abrir mão de meus livros e cheguei a seguinte conclusão: não precisamos deixar a literatura de lado, só precisamos aprender a encaixá-la em nossas rotinas.

A base do problema se encontra no fato de que só queremos ler quando não há nada que nos impeça de ler - nas férias, por exemplo. Se a faculdade é um motivo para você não ler, então, futuramente, tudo será uma pedra no caminho de suas leituras até o ponto em que você, simplesmente, não lerá mais. E aí, como ficam as leituras? Como ficam os livros empoeirados que começam a amarelar? Dói pensar assim? Talvez um pouquinho, mas não deixa de ser verdade.

É com isso em mente que venho compartilhar com vocês algumas dicas que tem dado certo para mim. Estamos no meio de Maio e estou em mês de provas/trabalho, ainda sim, estou iniciando minha quarta leitura do mês e meu vigésimo primeiro livro do ano. Posso te garantir que não é bruxaria nenhuma, cola comigo que eu vou te contar tudinho!

1 - Já percebeu quanto tempo você passa no celular? 
Se é para começar bem, vamos direto ao calcanhar de aquiles de muitos. Quantas horas você passa no celular por dia? Quanto tempo você passa vagando no Facebook, Instagram ou qualquer outra rede social? Passamos muito tempo fazendo o famoso "vários nada" e mexendo no celular, vendo coisas que podem ser vistas depois - pois, continuarão lá. Use o tempo em que você está de bobeira no celular para ler um livro - e deixe o celular longe ou sem wifi. O celular vibrando com novas mensagens serve de distração e instiga nossa curiosidade.

2 - Não leia calhamaços. 
Se a sua vida é muito atarefada, procure o prazer da leitura em livros pequenos. Livros com muitas páginas, por mais maravilhosos que possam ser, podem desestimular a leitura caso apresentemos muito progresso, além de podermos esquecer a história. Portanto, procure livros pequenos que sejam do seu interesse e de fácil leitura, o que nos leva a próxima dica.

3 - O tal livro de bolso.
Carregue sempre um livro com você. Sendo ele pequeno, ocupa pouco espaço e não pesa na bolsa/mochila. É sempre bom ter um livro escondido na manga, nunca sabemos quando teremos um tempinho para ler. Tenho um livro de mais ou menos 100 páginas que carrego comigo todos os dias. Quando chego cedo na faculdade, aproveito para ler um pouquinho e tem me ajudado bastante.

4 - Trace metas realísticas.
Às vezes traçamos metas de leitura que simplesmente não condizem com nossa realidade, mas queremos cumpri-las não importa o que aconteça. Não faça isso. Se você é chegado a metas, assim como eu, procure traçá-las de forma que você consiga alcançá-las, para não ficar frustrado. Suas metas podem ser mensais, semestres ou anuais. O importante é que sejam realísticas e você consiga cumpri-las. Não tenha pressa!

5 - Desculpas não colam. 
Pare de arranjar desculpas para si mesmo. Você pode ler sim, basta ver de que forma a leitura se encaixa melhor na sua rotina. Encontre uma hora ideal - antes de dormir, assim que acorda, por exemplo - e viaje nas páginas de um livro, só não deixe que tudo na vida se torne um empecilho para você não ler. Lembre-se que a literatura é um favor que você faz a si mesmo.

Espero ter ajudado você, leitor, e te deixado com vontade e pegar aquele livro que há muito tempo espera para ser lido. Para terminar, gravem e levem para a vida a frase do poeta russo e ganhador do prêmio Nobel, Joseph Brodsky:
Existem crimes piores do que queimar livros. Um deles é não os ler. 

Existem filmes, que de tão mágicos, poderiam ser livros. Nossos Amantes (Nuestros Amantes, no original) é um desses. Produção espanhola e lançada na plataforma Netflix, é a comédia romântica perfeita para todo os enamorados por literatura e lhes digo porquê: tudo começa com um encontro ocasional em uma livraria - o que, acredito eu, ser o sonho de muitos. 
Um homem e uma mulher desiludidos no amor se conhecem no bar de uma livraria e começam a namorar, mas somente lá - sem saber nada um do outro.
Não tinha muitas expectativas quanto ao filme. Comecei assistir assim que lançado no Netflix e não passei dos primeiros cinco minutos. Um erro ou um acerto. Talvez não fosse a hora certa de assistir, talvez, se tivesse continuado, teria parado na metade ou até mesmo antes dela e nunca mais prosseguido. Decidi dar uma segunda chance no último feriado e, para minha surpresa maior, me vi completamente envolvida pela história. Deixei de lado as mensagens que não paravam de apitar no celular e me rendi a esse romance meigo, inteligente, adulto e sonhador - embora, para muitos, adulto e sonhador sejam palavras que não caminham lado a lado.

O primeiro ponto interessante de Nossos Amantes é a forte presença de referências literárias. A história não só começa em uma livraria, como apresenta um casal apaixonado por literatura e que não passa um minuto sem mencionar Charles Bukowski e Truman Capote. O filme tem ar e gosto de livro. É como se alguém estivesse lendo um para mim.
Trata-se de um romance maduro, entre uma mulher na faixa dos trinta e um homem em seus quarenta. Seus diálogos são inteligentes, apesar de carregados de problemas que a idade e a vida os permite ter. O filme todo gira em torno de conversas, questionamentos que nos faz questionar. Acompanhá-las, é o que o torna tão gostoso de assistir. O equilíbrio é mantido com cenas leves, românticas porém não tão românticas, o que é algo que muito me agradou. Não é somente uma história de amor, mas também de experiências e decepções amorosas.
— E agora, a grande pergunta. O que você quer ser quando crescer?
— Quero continuar sonhando. Mesmo que eles não se realizem, quero continuar sonhando.
 — Que sonhos você tem agora?
 — Não tenho dinheiro e meu coração está partido. Meu sonho é ser um pouco feliz. Sou muito ambiciosa?
Os cenários são maravilhosos. É cada cena linda em jardins, parques, ruas, cafeterias! Sem sombra de duvidas, o cenário é um elemento essencial para tornar esse filme tão adorável. Para ficar bem equiparado, a trilha sonora não fica atrás em momento algum. 

Se tivesse de descrever Nossos Amantes em uma única palavra, seria leveza. Tudo parece estar em perfeito equilíbrio, resultando em um romance encantador que foge do clichê. É o filme perfeito para assistir debaixo da coberta naquele dia frio e nublado. Ideal, também, para você, leitor assíduo.